Thursday, June 28, 2007

Defendendo a Nomenclatura Científica

É com imenso orgulho que apresento a vocês mais uma ferramenta de informação e, conseqüente, refutação. Defendendo a Nomenclatura Científica será o local de argumentações contra informações falsas que andam sendo disseminadas na internet, seja por websites, blogs, ou artigos científicos, desde que não tenham refutações disponíveis pelos tradicionais sites TalkOrigins, PandasThumb, dentre outros.

É o tópico em favor dos necessitados e sedentos pelo saber científico. Sem meias-verdades, fundamentalismos religiosos e exegese. Contra a caracterização dada pelos criacionistas denominando, os que defendem a Teoria da Evolução das Espécies, de “Evolucionistas”, não somos evolucionistas, e sim cientificistas, amantes da ciência e, consequentemente, da Evolução das Espécies.

Muitos destes veículos de informação podem conter pontos falhos básicos que qualquer evo leigo pode criticar, vamos às regrinhas:


- Primeiro, analise o ano de publicação dos periódicos citados na argumentação e presentes na bibliografia, por exemplo, uma crítica ao livro Genetics and the Origin of Species de Theodosius Dobzhansky, publicado em 1941 pode contar informações sobre genética ultrapassadas, e outras ainda mantidas como vou discorrer mais a frente. Portanto, olhem sempre o ano de publicação dos livros que são citados nas referências bibliográficas de disseminação neocriacionista (design inteligente), ou até mesmo criacionista fundamentalista (Terra jovem).

- Segundo, não dê atenção ao senso-comum, ou frases estritamente emocionais, investigue, sinta-se um cientista, e vá às forras. Se o que você lê em materiais criacionistas não tiver fontes, não perca seu tempo. Critique acima de tudo e todos, e use o método científico.

- Terceiro, meias-verdades. Existem trechos de “evolucionistas famosos” sendo citados pelo mundo e o fundo em: livros, videopalestras, capas de cd gospel, dentre outros. Por exemplo:


Versão Manuseada e Maldosa
Such "simple" instincts as bees making a beehive could be sufficient to overthrow my whole theory. Charles Darwin, Life and Letters, 1887, Vol.2 p.229

Versão Original
"The subject of instinct might have been worked into the previous chapters; but I have thought that it would be more convenient to treat the subject separately,
especially as so wonderful an instinct as that of the hive-bee making its cells will probably have occurred to many readers, as a difficulty sufficient to overthrow my whole theory. I must premise that I have nothing to do with the origin of the primary mental powers, any more than I have with that of life itself. We are concerned only with the diversities of instinct and of the other mental qualities of animals within the same class."

Versão Traduzida
“Consagrarei este capítulo ao exame das diversas objeções que se opõem ao meu modo de pensar, o que poderá esclarecer algumas discussões anteriores; mas seria inútil examiná-las todas, porque, no número, muitas provêm de autores que se não deram ao cuidado de compreender o assunto. Assim, um distinto naturalista alemão afirma que a parte mais fraca da minha teoria reside no fato de eu considerar todos os seres organizados como imperfeitos. Ora, o que eu disse realmente, é que eles não são tão perfeitos como poderiam ser, relativamente às condições de existência; o que prova isto, é que numerosas formas indígenas têm, em algumas partes do mundo, cedido o lugar a intrusos estranhos. Mas, os seres organizados, admitindo mesmo que numa época dada tenham sido perfeitamente adaptados às suas condições de existência, só podem, quando estas mudam, conservar as mesmas relações de adaptação com a condição de se transformar; ninguém pode também contestar que as condições físicas de todos os países, assim como o número e as formas dos habitantes, têm sofrido modificações
consideráveis.” (DARWIN, Charles. A Origem das Espécies, 1 vol., tradução Mesquita Paul, Lello & Irmão – editores, 2003)

- Quarto, fique de olho na tradução, geralmente na tradução de textos alguns trechos perdem seus significados originais, sendo totalmente manipulados.

- Quinto, uma série de ataques de neocriacionistas a figura de Charles Darwin são feitos todos os dias, autor do livro-base da Teoria da Evolução das Espécies, e formador da corrente darwinista. Portanto, ele não é o dono da Teoria da Evolução, e de nada valerá os ataques feitos aos trabalhos dele de séculos passados, entre os séculos XIX e XX. Então, temos de criticar os papers neodarwinistas, história na ciência só entra na Introdução.

- Sexto, olhe as notas de rodapé, podem colocar toda argumentação abaixo e contradizendo algo explicitado anteriormente.

- Sétimo, procure as correlações, analogias, confrontos de idéias presentes nos textos criacionistas, com criticas a partir dos textos sobre a Teoria da Evolução na íntegra, ou com outro paper que cita os estudos que os crias estão criticando.

- Oitavo, cuidado com as conclusões divinas, não sei explicar, é o divino que explica, esse ponto está presente nos papers de Conferências Criacionistas promovidas pela ICR.

- Nono, fique alerta nas reticências, pois são perigosíssimas.

- Décimo, sempre se mantenha informado, esse é o ponto básico, raiz de todos os outros, visto que a evolução está ocorrendo o tempo todo. Então, vários artigos e notícias estão circulando pela internet com assuntos evolucionários, seja no âmbito da genética, química orgânica, da bioquímica, dos sistemas biológico, organismos, populações e fósseis.

No mais, desejo prosperidade e votos de confiança em sua batalha contra a pseudociência, visto que criticar a evolução agora virou moda em vários bloggers poraí, não só criticando, mas detonando a Nomenklatura Científica. (sic)

7 Comments:

Anonymous Renan said...

Muito legal esse resumo!

Bastante prático e útil!

10:43 AM  
Blogger Linha de Frente Evolucionista said...

"...não somos evolucionistas, e sim cientificistas, amantes da ciência e, consequentemente, da Evolução das Espécies."

Eu não sou cientificista nem aqui nem na China! O Conceito de cientificismo está muito ligado ao positivismo, à crença de que se pode explicar tudo pela ciência, o que, evidentemente, não é verdade.

11:41 AM  
Blogger Allysson Allan said...

Caro Sgt. Peppers,

Quanto ao sermos cientificistas é fazer o que você está fazendo, criticando. E não tem como explicar a T.E. de outra forma, a não ser a científica.

Um abraço.

1:24 PM  
Blogger ribeiroll said...

A versão traduzida, embora interessante, não é a tradução do texto acima. Acho que houve um pequeno engano na postagem.

11:48 AM  
Blogger Allysson Allan said...

Olá ribeiroll,

Podes olhar o contexto do trecho, e comparar com a versão original em inglês. O tradutor quis descomplicar a linguagem rebuscada explicita na versão original do livro. Fazendo ele com outras palavras.

Abraço.

5:48 PM  
Blogger ribeiroll said...

Mas mudou muito a linguagem. Não acho que isso seja aceitável como tradução, no máximo como nota de rodapé.

O que foi expresso foi muito diferente, se igualando apenas no sentido geral.

5:44 PM  
Anonymous david said...

Vou ter de engrossar o rol daqueles que reclamaram do uso do termo "cientificista". Não apenas não sou um, como COMBATO esta idéia. O cientificismo, uma característica do pensamento filosófico do período moderno, era uma afirmação de que a ciência não apenas podia explicar TUDO, como deveria REGER a sociedade. Isto é, no mínimo, uma idéia ingênua - e pode vir a ser perigosa quando mal-aplicada...

10:41 PM  

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